Algumas reflexões sobre transição capilar

09:40

       O processo de transição capilar não é nada fácil. Já passei por ele algumas vezes, desisti na maioria! Não é nada fácil se (re)conhecer no meio deste processo e acredito que em alguns momentos não estamos preparados para isso mesmo, pois a pressão da sociedade no rege por tanto tempo que é muito demorado conseguir se separar disso. A maioria das pessoas passam por situações onde não se encaixam em padrões diversos ditados como os "certos" e claro que sofri muito com isso. Não quero me esticar muito nisso, mas se você é jovem/mulher negra, com cabelos crespos (e muito curtos na infância) sabe do que estou falando, se não, pergunte a qualquer mulher negra próxima a você. Aconteceu de forma muito parecida com a maioria de nós, e só fui saber disso quando já tinha passado dos meus 20 anos. Enfim, depois da 4a vez que passei por uma transição capilar finalmente consigo refletir sobre mim de uma forma diferente. Por isso, não vou me focar nas tentativas de transição anteriores, apenas nesta última e no resultado disso na minha vida atualmente.

Créditos: Fala Reh

        Esse último processo se deu junto com um momento MUITO difícil na minha vida pessoal. Não via mais saídas em diversos aspectos, e hoje percebo que começar a aceitar e a amar meu cabelo era aprender a me conhecer e saber quem eu sou, com isso, eu consegui uma ajuda muito grande no processo de "me levantar" do buraco que eu estava. Comecei essa última transição em meados de 2015, onde parei de usar química no meu cabelo, pois me questionei como ficaria meu cabelo natural com algum cuidado específico (nas outras vezes que deixei de usar química, não tinha nem 1/4 de produtos específicos ou de pessoas falando sobre isso como é agora).  Além disso, estava muito insatisfeita com meu cabelo indefinido (nem cacheado e nem alisado), portanto decidi ir aos poucos.
        A partir de agosto/15 fui cortando aos poucos, conforme meu cabelo ia crescendo. A ajuda da minha mãe foi imprescindível nesse processo, pois ela que passou a me ajudar a cuidar do meu cabelo (ela que fazia os cortes). Várias texturizações diferentes foram me ajudando a levar o processo adiante até que em abril de 2016 decidi cortar toda a parte de química que havia no meu cabelo. Não foi algo que planejei fazer, em um dia eu me senti esgotada dele em texturas diferentes, cheguei em casa da aula e disse:  "mãe, corta tudo!" Ela ficou surpresa, pois sempre tive muita dificuldade pra deixar que cortassem meu cabelo, mas foi lá e fez. Ficou super curtinho, mas eu me senti super livre naquele momento! Depois disso, dá-lhe cronograma capilar. Comecei a pensar na possibilidade de usar tranças por alguns períodos, de forma que ajudasse no crescimento e eu não enjoasse tanto do mesmo visual por muito tempo.
        É muito interessante o processo de conhecer o próprio cabelo, é como se isso ajudasse a se conhecer em diversos aspectos da vida. Tenho aprendido a ser mais confiante, a melhorar a auto estima, a me amar e me ver bonita em diversas formas diferentes. Hoje em dia não penso em mudar meu cabelo para parecer "mais bonita", não penso em mudar o cabelo para tentar me adequar em padrões de gosto masculino ou para me sentir mais "inserida", etc. Depois de mais de 1 ano e meio sem passar nenhuma química no cabelo, pude aprender várias coisas, a principal delas a me sentir bem comigo mesma e fazer as coisas por mim, não pelos outros. Independente do cabelo ao natural, com química, roxo, verde, alisado... Que quando/se eu resolver mudar, seja pela minha vontade e não para me adequar em padrões dos outros. Que em primeiro lugar, venha a minha felicidade e auto estima!

Jul/15

Mai/16: pós big chop (corte da química)


Agosto/16: tranças

Abr/17: como está agora

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